Nunca chovia, água nenhuma caia naquela terra seca e a única música que se podia ouvir era o blues amargo da razão.
Ninguém passando na janela, nenhum aceno, apenas risos em rostos vazios ocultando gritos desesperançosos.
O dia caiu como um manto na minha solidão.Pras coisas que acontecem dentro de alguém, todos os dias são dias e todas as horas são horas.Essa regra é por demais injusta.As coisas que acontecem dentro de alguém são como as descobertas frias que se anuciam como sombra sobre os lençóis.O tempo de loucura sempre passa, e é então que nos vemos livres como peixes em alto-mar, que nunca perde tempo remoendo saudades de áquarios.Um rosto vazio que nunca antes havia estado em minha rua e que acumula caixas velhas com coisas das quais não pode esquecer corre pelas ruas procurando por alguém que escoste a cabeça em seu peito e sinta a (dor)mência do som da sua inocência perdida, do seu acordar para um abismo que se abriu como uma flor vermelha em abril.Ébria, como âmago que quer tudo e nada quer, que sente bem o incomodo da calmaria e do breve vão do infinito.O pensamento que se apresenta em caos, as palavras que se transmutam para o silêncio, o dia que devia acordar cantando.Um rosto vazio que não queria andar por uma estrada que se sabe onde vai dar, que queria descançar pois estava cansada das sendas, que por vezes queria não ver quando tudo se pode enxergar.Um rosto vazio que sempre optou pelo agridoce, quando a receita dizia sal a gosto, que nasceu pra acordar e começar a sentir o sono chegar outra vez, para administrar os vãos e o que é inútil, nasceu para entender o não entender das coisas.O não querer ir, o não querer ficar.O não querer ouvir, o não querer falar.O não querer.
domingo, 15 de abril de 2012
O Não Querer
Assinar:
Comentários (Atom)