terça-feira, 22 de maio de 2012

Maybe


Não me invada com olhares.

Não tires de mim o direito de ter um silêncio que grita.
Escrevo agora numa folha suja, meus escritos são sujos e cheios de subjetividade.
Palavras ditas não me surte mais efeitos.
Não tire de mim o direito de possuir magoas infindas, que me abrem, me partem ao meio, me estiram em pedaços pelo chão do quarto.
Me deixe escapar, fugir de você, respirar e viver de poesia. 
Me deixe viver dos meus escritos manchados de ópio.
Por hoje, feche a porta de seu quarto pra mim, diga-me que a luz fraca apenas guarda um enorme vazio.
Faça-me rir com seus discursos banais,  faça-me implorar por perdões logo em seguida.
Talvez eu faça isso, talvez não.
Talvez outra hora.
Outra hora, talvez, eu queira invadir tua casa, tua rua e o teu corpo.
Embriagada e cega eu sinto vontade de lhe dizer coisas, nem sempre tão boas.
E o que pensaria você, ao escutar, presenciar os meus devaneios todos ? e se eu te perguntasse em qual dos dois lados você quer ficar, do meu ou do seu ?
Cala-te, e deixa que eu respondo por ti.
Fica do teu lado, esse lado marginal do amor não te serve, e esse meu amor banal tu podes encontrar um igual em cada esquina.
Eu já não gosto mais do gasto.




domingo, 6 de maio de 2012

Para Os Seus Olhos De Trovão II

Ele precisava  ficar de pé para começar algo, ficar tranquilo para ultrapassar suas próprias defesas.
Preferia deixar que o espaço o inventasse, e apesar da vertigem de não ter ninguém em volta de si, precisava estar perdido para poder se encontrar.
Ele era um predador no seu mundo natural.
O corpo dele queria falar, a roupa o calava. ,
Vivia com suas vergonhas de fora e se intitulava filho de Deus e do mundo.
Ele não tinha nome, no seu peito estava escrito 'Viver', e ele-sem-nome, vivia.
Tinha nas suas incertezas o prazer de não ter certeza nenhuma.
Guardava em sua vida ( que é uma mala sempre pronta ) peles e gostos de perfumes.
Tinha trapos velhos dentro do armário e quando decidiu os vestir, viu que ainda lhe cabiam perfeitamente.
Ele não usava máscaras.
Nunca se zangava, e quando quase deixava a exaltação tomar conta de si, lembrava de seu nascimento,  e da única tristeza que lhe deu alegria.
Tinha a pose de um cara valente, e  pavor do ridículo.
Ele queria ser escravo dos mais pesados pecados passionais, então andava sempre com um pé na noite e outro no chão.
As vezes era, as vezes não.
As vezes sarapintado, as vezes um coração preto e branco.
Sim esse era o seu mundo, e eram poucos e escassos os que podiam entender.
Ele, quando se sentia só, acendia um cigarro, a solidão não passava mas a fumaça o fazia companhia.  
Se entristecia sempre pelo que poderia ter sido e nunca foi, e isso doía nele como um nervo em carne morta.  
Para entender o que aquele menino já havia vivido, só calçando seus sapatos, olhando através de seus olhos e seguindo os seus caminhos.
Ele era de um mistério impossível de se descrever, pintado com cores imaginárias .
Ele era, um menino com olhos de trovão.