Quero adormecer com você num furação, deitar-me com você numa tempestade, meu anjo de guarda noturno.Você que tudo sabe sobre proteção, que guarda os meus segredos, tem uma cópia da chave da minha mente e que me ensina a te alvitrar.Certas vezes me desmonto, e meus caminho apenas sabem seguir o teu carinho, deitar no teu sofá e ser presente no tempo de sonhar.Quero rugar novas em meu riso e novas páginas em meu velho livro, quero a felicidade de te achar ao meu lado de ter o teu vermelho a colorir os dias.Com as nossas fraquezas eu construí algo bonito e agora é só você que me proporciona essas alegrias diárias e quando sinto a grande falta, a grande urgência de te ter por perto me atingir, como criança fico mais perto da janela, olhos vidrados, esperando a hora em que você vai chegar.Não demore não viu ? Você sabe muito bem que precisa esforçar-se e não escutar ninguém muito menos a voz ensurdecedora da razão.Seja aqui, no mar ou em qualquer lugar estamos sempre sob o mesmo céu.Eis que é do nosso amor que sou feita, sou isso, só posso ser isso e não me resta mais nenhuma opção além de ser.Me pergunto o que nos trouxe até aqui . Coragem, medo, ou talvez nenhum dos dois ? Bússolas, mapas, sorte, acaso ? o que realmente faz você na minha estrada? Não sei, sei é que eu estava dançando quando aconteceu e isso agora é festa, sei que sou um mero reflexo seu querendo ganhar vida no espelho e tornar-te nova.E eu que achava que te conhecia, não espera não mais me conhecer depois de você, estive muito tempo vivendo comigo mesma no escuro, até você me acender as luzes, arrumar minha bagunça, e mudar meus limites.Eu agradeço tanto você ter me virado do avesso, e manter meus passos em mudança constante, eu garanto que não preço nenhum poderia pagar a magia disso.Acredito na fé que me permite acreditar no tempo, e na sua forma infinitiva que me permite seduzir esse teu coração que era tão gelado, plantar árvores e mudar sua cor.O que faria você no meu lugar ? pra mim, que está sempre tarde e tudo tem que ser deixado para outro dia ?Minhas palavras frequentemente me traem e não entendo nem mesmo o que eu quero dizer quando fico calada, mas entendo ainda assim do que sou feita.Existe um murro de Berlin entre nós, e muitas linhas que podem quebrar o silêncio e nos trazer alívio.Não sei com que ponto devo acabar uma frase, por isso meu amor eterno pelos três pontinhos, tantos outros pontos podem existir depois deles.Então, a nossa história entrego as reticências...(O último ponto sempre dono de todos os silêncios)
sexta-feira, 23 de março de 2012
Escritos Vermelhos
terça-feira, 13 de março de 2012
Para Os Seus Olhos De Trovão
Me dê sua mão, meu boi luzeiro me acompanhe que junto de você me sinto capaz de por fogo no mundo e andar descalça sobre as cinzas.Teus encostos, teus cachos , teus casos me fascinam, me preenchem e por fazer parte de você, são vivos em mim também.Tu com esse teu nariz de palhaço eternamente pintado na cara, fazendo um carnaval festivo nos meus olhos e depois de uns goles e uns tragos devastando minha calma.Prazer em sentir saudade de ti, caboclo, de teu colchão da luz pálida do quarto e da musica melancólica que se misturava no ar com as nuvens densas que surgiam do outro lado da serra desabando em água logo depois.São poucos os que me causam esse tipo apertado de saudade, tão poucos que posso conta-los nos dedos de apenas uma mão.Não vejo a hora de tu entrar novamente nessa cidade caboclo, com esses teus olhos lindos de trovão, não vejo a hora de poder vê-los em festa e perdida na vastidão deles, dançar.Te chamo, porque se quiseres podes deitar e descansar em minha cama, passear nos meus jardins e mais, ser trapezista de meu circo.Escuta o que eu te digo caboclo, guarda no bolso tuas preocupações e te veste com teus sonhos, deixa teu coração liberto como um relâmpago a rasgar o céu de tua serra, talhada.Chove no meio do verão e te faz diferente, seja além de caboclo, chuva, dessas de lavar terreiro.Se tu quiser, meu nego, eu costuro a capa de teu peito e corto os garranchos de teu pé pra tu seguir que nem retirante e atravessar meio mundo, se não ele todo.Cuido de tu com dengo e o cuidado que se precisa ser preta pra ter e dar.Não importa se o nosso sertão virar mar ou se teu mundo se virar de ponta cabeça, eu te ajudo a concertar o caminho e te envio uma fé qualquer, que te guie direitinho.Sei que teu pensamento é de quem quer voar, mas te lembro de não esquecer de deixar marcas por onde passares, de fazer um batuque, de me compor um som, pra que eu de longe possa ouvir e alegrar a caixa do peito, vou te mandar um pedaço do nosso céu pra tu pregar na parede se um dia tu levantar voo, e se um dia acontecer de eu bater as asas primeiro não ei de me esquecer de te mandar um pedaço do mar pra tu fazer dele uma bela recordação e nadar.Eu quero que do outro lado do globo, tu possa ser feliz, mas que sinta saudade de mim e da noite do sertão.Tu é de todo um mistério caboclo, violento e avoador.Venha me ver montado num vento cercado por toda tua magia.Sei que as palavras de quem vos fala não são de muita ordem ou de muita importância, mas é de um puro coração quente, que clama por tua presença.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Eva, Que Não Era Uma Menina Comum
A menina de poses indelicadas que vivia a olha de sua janela tinha um encantamento profano por gatos pretos e não era uma menina comum.Era de tamanha ousadia que o medo lhe olhava nos olhos e fugia.Gostava de jogos e principalmente dos que não sabia as regras nem teve a chance de jogar.A menina que vivia a olhar de sua janela não era uma menina comum, nunca precisou de paradeiro, porto, rumo, ou algo pra chamar de seu.Os esconderijos de sua alma gritavam seus segredos, que se misturavam com seus pensamentos sempre soltos no ar.A menina que tinha uma nova mania a cada amanhecer pensava consigo que a distância também era encontro, encontro dos bons.Porque era sempre bom se encontrar assim, na imaginação do outro.A menina que não era uma menina comum fazia com que as coisas perdessem o sentido propositalmente e quando fica sozinha conseguia entender o silêncio.A menina que não era uma menina comum, se chamava eva.Dentro dela, de suas rasuras e de seu vazio: O breu.Seu deus nunca esteve numa cruz e seria mais certo dizer que anda por ai cometendo brincadeiras, nem sempre de bom gosto.A menina que não era uma menina comum dava vida as palavras, e as palavras eram sua vida, sua morte e tudo o que tinha.Mantinha seus escritos protegidos numa caixa de zinco muito bem cuida.Quando escreve, escreve forte com caneta vermelha, maltratando o papel e despejando sobre ele toda sua dor, ou a falta dela.A menina gostava de construir mosaicos com estilhaços de sofreguidão e de tempos perdidos, encontrados pelas calçadas, os construia com uma simetria perfeita que apenas cabe dentro dela e depois de prontos, ela os pendura na parede de sua casa.Composta de pequenas rasuras, vazios e uma grande parte de intensidade, era o talvez, sua palavra preferida e fazia parte de seu mundo, magia e bonecos de vodu inutilizados.A menina que não era uma menina comum, parecia um anjo com seu batom vermelho,sua pele alva e sua beleza estranhamente paralisante , mas tinha um demônio no coração ele era seu intimo companheiro, e ela não gostaria de libertar-se ou de tira-lo dali, havia sido batizada com fogo, dentro dela estava tudo domesticado mas por fora era selvagem.Eva, que não era uma menina comum não tinha uma natureza má, vivia perdida nos olhos e na alma (...)
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