Me dê sua mão, meu boi luzeiro me acompanhe que junto de você me sinto capaz de por fogo no mundo e andar descalça sobre as cinzas.Teus encostos, teus cachos , teus casos me fascinam, me preenchem e por fazer parte de você, são vivos em mim também.Tu com esse teu nariz de palhaço eternamente pintado na cara, fazendo um carnaval festivo nos meus olhos e depois de uns goles e uns tragos devastando minha calma.Prazer em sentir saudade de ti, caboclo, de teu colchão da luz pálida do quarto e da musica melancólica que se misturava no ar com as nuvens densas que surgiam do outro lado da serra desabando em água logo depois.São poucos os que me causam esse tipo apertado de saudade, tão poucos que posso conta-los nos dedos de apenas uma mão.Não vejo a hora de tu entrar novamente nessa cidade caboclo, com esses teus olhos lindos de trovão, não vejo a hora de poder vê-los em festa e perdida na vastidão deles, dançar.Te chamo, porque se quiseres podes deitar e descansar em minha cama, passear nos meus jardins e mais, ser trapezista de meu circo.Escuta o que eu te digo caboclo, guarda no bolso tuas preocupações e te veste com teus sonhos, deixa teu coração liberto como um relâmpago a rasgar o céu de tua serra, talhada.Chove no meio do verão e te faz diferente, seja além de caboclo, chuva, dessas de lavar terreiro.Se tu quiser, meu nego, eu costuro a capa de teu peito e corto os garranchos de teu pé pra tu seguir que nem retirante e atravessar meio mundo, se não ele todo.Cuido de tu com dengo e o cuidado que se precisa ser preta pra ter e dar.Não importa se o nosso sertão virar mar ou se teu mundo se virar de ponta cabeça, eu te ajudo a concertar o caminho e te envio uma fé qualquer, que te guie direitinho.Sei que teu pensamento é de quem quer voar, mas te lembro de não esquecer de deixar marcas por onde passares, de fazer um batuque, de me compor um som, pra que eu de longe possa ouvir e alegrar a caixa do peito, vou te mandar um pedaço do nosso céu pra tu pregar na parede se um dia tu levantar voo, e se um dia acontecer de eu bater as asas primeiro não ei de me esquecer de te mandar um pedaço do mar pra tu fazer dele uma bela recordação e nadar.Eu quero que do outro lado do globo, tu possa ser feliz, mas que sinta saudade de mim e da noite do sertão.Tu é de todo um mistério caboclo, violento e avoador.Venha me ver montado num vento cercado por toda tua magia.Sei que as palavras de quem vos fala não são de muita ordem ou de muita importância, mas é de um puro coração quente, que clama por tua presença.
terça-feira, 13 de março de 2012
Para Os Seus Olhos De Trovão
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