segunda-feira, 12 de março de 2012

Eva, Que Não Era Uma Menina Comum

A menina de poses indelicadas que vivia a olha de sua janela tinha um encantamento profano por gatos pretos e não era uma menina comum.
Era de tamanha ousadia que o medo lhe olhava nos olhos e fugia.
Gostava de jogos e principalmente  dos que não sabia as regras nem teve a chance de jogar.
A menina que vivia a olhar de sua janela não era uma menina comum, nunca precisou de paradeiro, porto, rumo, ou algo pra chamar de seu.
Os esconderijos de sua alma gritavam seus segredos, que se misturavam com seus pensamentos sempre soltos no ar.
A menina que tinha uma nova mania a cada amanhecer pensava consigo que a distância também era encontro, encontro dos bons.
Porque era sempre bom se encontrar assim, na imaginação do outro.
A menina que não era uma menina comum fazia com que as coisas perdessem o sentido propositalmente  e quando fica sozinha conseguia entender o silêncio.
A menina que não era uma menina comum, se chamava eva.
Dentro dela, de suas rasuras e de seu vazio: O breu.
Seu deus nunca esteve numa cruz e seria mais certo dizer que anda por ai cometendo brincadeiras, nem sempre de bom gosto.
A menina que não era uma menina comum dava vida as palavras, e as palavras eram sua vida, sua morte e tudo o que tinha.
                 Mantinha seus escritos protegidos numa caixa de zinco muito bem cuida.
Quando escreve, escreve forte com caneta vermelha, maltratando o papel e despejando sobre ele toda sua dor, ou a falta dela.
A menina gostava de construir mosaicos com estilhaços de sofreguidão e de tempos perdidos, encontrados pelas calçadas, os construia com uma simetria perfeita que apenas cabe dentro dela e depois de prontos, ela os pendura na parede de sua casa.
Composta de pequenas rasuras, vazios e uma grande parte de intensidade, era o talvez, sua palavra preferida e fazia parte de seu mundo, magia e bonecos de vodu inutilizados. 
A menina que não era uma menina comum, parecia um anjo com seu batom vermelho,sua pele alva e sua beleza estranhamente paralisante , mas tinha um demônio no coração ele era seu intimo companheiro, e ela não gostaria de libertar-se ou de tira-lo dali, havia sido batizada com fogo, dentro dela estava tudo domesticado mas por fora era selvagem.
Eva, que não era uma menina comum não tinha uma natureza má, vivia perdida nos olhos e na alma  (...)




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