Anti-personagem, me rastreio
Sinto minha imagem que se desprega como a gravura de um album e de repente já não me vejo, sou só o contorno da figura recortada.
Anti-sendo na moldura do nada, agora sei que amei, que ri, fui triste, andei e não parei no tempo nem no espaço que me coube e que me dei, cumpri minha missão de cuidado descumprindo meu compromisso com a vida.
Agora sei que meus olhos parados, meu olhar perplexo vem da entrega de quem cometeu um grande equivoco e parou na vida sem nome, sem data nem estória, sem gesto, sem palavra nem memória.
Daí vem meu silêncio e esse olhar ambiguo com um certo ar viajante de quem não esta-estando com uma mão perdida numa mala ausente, apenas pelo desejo de ir.
Daí esse soluço que me trava a voz.
Me fiz voz, me ouves ?
Me aprendes: Não me decifrarás.
A minha imagem poucas vezes refletida perante teus olhos não me salvou, resta EU sendo soterrada em teus esquecimentos.
Digo-te com a verdade de mim: Sou também o que dizem meus medos e meus atos nem sempre são minhas respostas.
Com qual nome me definirei se sou sempre presa nessa transitoriedade e não me reconheço no ontem ?
Amanhã amanheçerei eu, nova ?
E dessa forma tu vais me explicar caro amigo, porque agora me doi teu nome e na lembrança de teus passos extremeço ?
domingo, 30 de outubro de 2011
Retrato Abstrato
Um Pedido de Desculpa.
Minha doce hóspede, vim desculpar-me pelo mar, que fica enfrente a janela do teu quarto, no meu coração, estar um tanto agitado. O motivo ? estou tendo que me cortar em mil pedaços pra me descobrir inteira novamente; Estou tendo que tentar calar meu silêncio que grita ao vento, os segredos que eu escrevi no diário da alma, e que so tu, minha queria, podes ler; Tentando entender as histórias que andam sendo contadas nas entrelinhas, identificar a realidade das coisas, lembrar em qual bolso eu guardei meus sonhos e meus afetos. Desculpe-me se com toda essa desordem acabo por desestabilizar tua paz, desculpe-me se a maré ficar muito alta e as gotas de água -que estão mais salgadas que rotineiramente- te fizerem chorar. Te pesso, minha querida, que não te aflinjas nem te zangues com as tempestades noturnas, tenhas um pouco mais de paciência comigo, logo eu me farei calma novamente.
Preenchendo o Tempo
Sabes que sou tua, sem hipérboles ou devaneios, apenas o princípio exacto preenchendo o ar e o tempo. Eu respirava tua voz e dentro de mim tudo permanecia assim, calado e imutável. Quando percebi me achei mergulhada nessa atmosfera inexata de quando se habita um outro ser, sem ter sido convidada, um mergulho íntimo e profundo.
Conhecedora dos teus silêncios, amor, é o que eu sou, porque vivo em ti, porque sou parte dos teus contornos; Te sigo caladas nas tuas errôneas tentativas de ser feliz em estradas tortas, porque sou teu caminho com placa de retorno.
Lembra-te que eu sei das coisas que não dizes e dos medos que tu desconheces que tens, porque sou eu amor, que diante das tantas possibilidades de ir, revolvi ficar.
Sobre a dependência
Me matas com a mesma intensidade que me fazes viver, porque tu nesse teu jogo de silêncios, consegues me paralizar com a mesma força que colocas em movimento sincronizado todas as partes do meu corpo, e essa sincronidade me assusta, me assusta amor, essa forma que consegues me manter escrava dos teus devaneios cada vez mais ensandecidos, como apoias no meu peito esses teus choros contidos.
Te ofereço os meus medos amor, em troca exigo que faças o mesmo, que pra mim deixe cair as mascaras, as cortinas desse teu teatro cotidiano, exigo que pra mim amor, você se mostre, que me deixe entrar, me deixe ver, me deixe te fazer acreditar que a unica salvação pra você sou eu, mergulhando nas tuas profundezas.
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