Anti-personagem, me rastreio
Sinto minha imagem que se desprega como a gravura de um album e de repente já não me vejo, sou só o contorno da figura recortada.
Anti-sendo na moldura do nada, agora sei que amei, que ri, fui triste, andei e não parei no tempo nem no espaço que me coube e que me dei, cumpri minha missão de cuidado descumprindo meu compromisso com a vida.
Agora sei que meus olhos parados, meu olhar perplexo vem da entrega de quem cometeu um grande equivoco e parou na vida sem nome, sem data nem estória, sem gesto, sem palavra nem memória.
Daí vem meu silêncio e esse olhar ambiguo com um certo ar viajante de quem não esta-estando com uma mão perdida numa mala ausente, apenas pelo desejo de ir.
Daí esse soluço que me trava a voz.
Me fiz voz, me ouves ?
Me aprendes: Não me decifrarás.
A minha imagem poucas vezes refletida perante teus olhos não me salvou, resta EU sendo soterrada em teus esquecimentos.
Digo-te com a verdade de mim: Sou também o que dizem meus medos e meus atos nem sempre são minhas respostas.
Com qual nome me definirei se sou sempre presa nessa transitoriedade e não me reconheço no ontem ?
Amanhã amanheçerei eu, nova ?
E dessa forma tu vais me explicar caro amigo, porque agora me doi teu nome e na lembrança de teus passos extremeço ?
domingo, 30 de outubro de 2011
Retrato Abstrato
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