Gostaria apenas de escrever sobre mim, pois dentro de todo meu egoísmo, sou a única coisa com o que me importo, mas minhas palavras tomam um rumo diferente, um atalho para falar de ti.Contigo, não me importo.Não gosto das responsabilidades, veja você , que por puro azar tenho uma nova vida entre as mãos e uma sede que fala mais alto que meu corpo de livrar-se dela.livrar-me de você também, ficar apenas comigo, meu discos, meus livros, meu cansaço.Tuas palavras me agridem, e eu não posso mais suportar isso, quero me livrar agora da angustia de ter uma vida nas mãos.Que me perdoem por tamanho egocentrismo, mas alguém com braço forte bateu em meu peito, e agora ele está quebrado, retraiu-se e obrigou-me a tomar mais cuidado.Agora quem está cá a dentro permanece, quem está fora, já não pode mais entrar.Escrever se faz demasiadamente pesado para mim hoje, já que as palavras, que também possuem humor, hoje estão mau humoradas e fatigadas a ferir.Isso por vezes me parece um jogo, se de sorte ou de azar eu não sei.Estou agora querendo um certo afastamento do que me dói, reagir, já que nada nunca é culpa de ninguém.lembrar-me: Deixa fluir, barquinho na correnteza!
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Ego-ista
Verão Que Se Faz Só
Guardo tua imagem na minha televisão, mas você é tão destrutiva.Não há solução além de ficar e sentir a solidão de nós.Tentar livrar-se das marcas, e lembrar de criar asas.Tentar entender esse verão que se fez só.Esquecer do que era perfeito, por o que sobrou no bolso, já que o passado não traduz mais o melhor.O nosso mal jeito dispensou nosso bem.Hoje você apenas está onde as coisas são lindas e os encontros são bons: nas minhas lembranças.Nossas frases estão perdidas no tempo, formam nuvens e logo mais um temporal cairá sobre mim.Construiamos sonhos imperiais, que hoje são marginais e vivem sozinhos, calados vagando pelas ruas vazias, e é pelas páginas policias de uma manchete de jornal que sabemos que ele está morto agora.Agora me recordo de uma noite boa, e de um aceno pela janela, te dizendo até logo.Ainda me sinto naquela janela, mas agora te dizendo adeus.Nos jogamos num rio e depois que já estávamos na água, descobrimos que não sabíamos nadar, fato é que nos afogamos.No nosso rio de pequenas desilusões.Demos o nosso melhor para nos curarmos dos golpes antigos, e veja só, numa esperança de cura acabamos por nos ferir mais.Já procuro esquecer a caixa na qual vou guardar o novo rascunho dessa velha historia, mas porque não rasgar e coloca-la ao fogo ?Veja só você, nada valeu a aventura se no final não há paz, nem liberdade.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Notas a Um Amigo Embriagado
Sou solitária como uma pedra.Esta noite e tão grande e vasta a solidão que me acomete que a derramo num papel, e juntamente com uns tragos e uns gole extras de álcool eu poderia escrever um livro.Um livro destinado ao fogo.Nas notas de um velho safado Bukowski contou-me sobre uma espécie de verdade amarga e falsa o suficiente para não ser disputada e que ele já não sabe o que fazer com ela, então querido amigo embriagado com a minha verdade amarga e falsa também já não sei o que fazer.Trago, tomo um gole de meu café amargo e frio e envio a fumaça aos ares.Penso que devo ter tomado gosto pela solidão que se tornou companheira fiel de meus dias, trago novamente, e hoje como qualquer dia estranho o céu está nublado e cá dentro de mim está pra cair uma bela tempestade.Hoje não irei forjar palavras nem as jogar dentro de um saco literário, hoje minhas palavras são de extrema particularidade e visam um alívio imediato, que sei que não irei encontrar.O quinto cigarro se foi.Quero palavras cruas nesse papel pois escrevo de cara limpa, uma coisa limpa e pequena com a qual nem eu mesma me importo.Nesta noite não me sinto, agora estou tranquila como são os mortos.E com os mortos, quem se importa ?Não tenho pressa, abro as notas de meu amigo, velho, alcoólatra e safado e ele me diz que para se acertar é preciso prática, humor e um pouco de sorte.Nessa noite meu humor é negro e a sorte, bem , já não a possuo.O barulho do silêncio agora me incomoda, um incomodo barato e obsceno.Penso sobre mim, insensível, metida a poetagem e também contente por ser desinteressante.Não quero ser interessante, é muito difícil.Dizem que dessa vez enlouqueci, de fato, estão todos certos, só erram ao dizer que preciso libertar-me de minhas repressões e cortar as asas de meus calcanhares.Diferentemente de meu amigo bêbado essas palavras que escrevo, me entregam a completa loucura.hoje não espero, nem procuro por nada, dou um último gole em meu café gelado, um último trago que sopro aos céus e meu amigo bêbado ri, ri enquanto vaguei por bares inexistentes com uma garrafa na mão.Talvez.Finalmente.Por enquanto, como diria ele.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Sob O Mesmo Céu
Pode ser que dá água do esquecimento eu venha a beber um dia, mas hoje quero apenas falar do agora e dessa saudade que me fere fisicamente.Minha saudade hoje é no corpo!Ela disse que iria dividir sua solidão com os pássaros e eu agora danço dia e noite com meus pés em ponta para que essa solidão que cria coreografias tristes dentro dela se vá.Danço apenas pelos teus sorrisos não pintados moça.Nossa cor é vermelha, e o vermelho é sempre tão forte.As nuvens carregadas de ontem a noite choravam numa valsa desafinada sentindo pena de mim, e de minha singela dor, escurecendo o pequeno mundo meu.Tu e essa saudade vazia que tens me provocado pintam quadros, penduram na parede da minha memória e delineiam a minha vida.Distante de ti eu passo minhas tristes horas a pensar em todas as possibilidades, porque saudade é sempre o não saber.Escrevo agora para ti, e é somente para ti essa minha saudade, que hoje veste nossa cor e sua intensidade dói em minha pele.Por enquanto apenas quero falar do agora e do meu gosto pelas pequenas coisas que me fazem sentir perto de você em meio a toda essa distância.Estamos sob o mesmo céu.Limpemos a nossa bagunça e drenemos os nosso pântanos pra que possamos continuar construindo nossa pequena e valente fortaleza de amor, amor pra um vida inteira.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Ela é Filha de Eva
A maldita dança com a ponta da sapatilha sobre mim, me retalha, me ataca a queima-roupa, me abre as cicatrizes todas, me deixa em carne viva e no fundo gosta.Me deixa morta de cansaço e pesa em minhas costas como uma cruz.Choro e tenho dó de mim.Tomo um barril de chaça em homenagem a maldade dela que levou a graça de meu carnaval, tirou o samba de meu peito, calou meu violão e não me deixou prosseguir.Vou fazer hoje uma batucada e uma revolução.Vou te tirar de mim, maldita!Quero ver o sambra voltar a ferver e segurar também um porta-estandarte.Quero uma nova mulata dançando pra mim de saia roda e um novo violão.Quero uma banda passando, quero deitar novamente no peito de um cantador.Hoje vou me pintar e com brilho me vestir.Vou fazer misérias com o teu coração, filha de Eva.Vou atear fogo em teu peito e te quero ver queimar.Maldita, tu eras favorita em minha ala, hoje não conheço nem posso mais crer.Seja como for recomeçar agora eu só danço e não me canso.O meu samba sai de volta agora, e do amanhã, quem saberá?
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Ais
Um índia sem colar, sem cocar nem pituras apenas 3 sussurros no ouvido.Ela era movida por um falso sinal, um que nunca esteve ali realmente, tinha muitas faces e um único rosto cru.Sofria golpes, dos que se arrastavam no tempo e se afogava sempre no amplo mar dos silêncios.Vezenquando pensava ter vindo de algum corpo celeste que cheirasse a tempestades!Estava sempre muito longe e buscava um rumo inexistente, como uma oceania perdida, uma atlântida particular.Passeava lentamento os olhos sobre o branco que se pintava sozinho no azul e pensava em agradecimentos.Ela pensava em agradecer aos poucos que conviviam e aceitavam seus 'ais' .Nunca o fez.Olhava sempre o seu relógio de pulso, aquele que marcava sempre o tempo passado.Ouviu um trovão, 'o festejo de um encontro' pensou.Ela descobriu que os números não podiam decifra-la, muito menos explica-la.Não tinha um deus nem bando que a benzesse.Sentia algo pesar sobre suas costas, companhia não pedida da solidão, que cheias de truques a trancou numa caixa de música.Música ambiente num lugar barulhento e apenas ela podia ouvir.Olhava agora no céu um circulo estático e negro e sentia o mover das águas que se passavam em seu infinito.Trazia no rosto cansado marcas errantes que carregavam estrelas em sua abertura, discretamente ela brilhava.Estava vestida e povoada e ainda assim se sentia vazia, vazia como um planeta que não possui nenhum céu.Todo o silêncio a tonava faminta, uma grande ferocidade a possuía.Se calava pois seu não dizer dizia bem mais sobre tudo.Ela não falava nenhum idioma.Trajava uma propensão natural aos desencontros, seu destino era facultativo.Depois de tudo ela só podia pensar que naquela tarde nublada, fosse chover.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Na Bagagem: Uma flor!
Ressuscitei minha flor na varanda lhe despejando toda a água necessária para matar sua sede, quando ela em pranto quase morria.Eu tenho uma sede que não passa e um pranto sereno que ninguém escuta.Jogo minhas percas para o alto na vã esperança de que virem estrelas, pequenos fragmentos brilhantes num céu que não posso tocar.Salvo a quem amo com o brilho certo de uma alma que grita.Troco a frequência dos ruídos permanentes e me perco em mim.Escuto coisas novas e alguém me ditando um atalho pra longe dessa caverna que me habita.Habita no interior do meu interior, como uma criança que chora em minha porta pedindo algo que não posso lhe dar, porque o tempo não volta e as coisas morrem.Levanto agora a cabeça e sinto o vento que passa em meus olhos, entendo então que em certas horas só podemos enxergar com os olhos bem fechados.Tapo as frechas das incertezas e me certifico do que tenho: Apenas uma história demorada pra contar.Salvei minha flor da morte lhe podando os galhos secos, enquanto meu coração padece pela falta de carinhoOs galhos secos que nascem em mim, esse não consigo podar e toda essa secura vem transformando em deserto o que antes era apenas mar.
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