sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ela é Filha de Eva


A maldita dança com a ponta da sapatilha sobre mim, me retalha, me ataca a queima-roupa, me abre as cicatrizes todas, me deixa em carne viva e no fundo gosta.
Me deixa morta de cansaço e pesa em minhas costas como uma cruz.
Choro e tenho dó de mim.
Tomo um barril de chaça em homenagem a maldade dela que levou a graça de meu carnaval, tirou o samba de meu peito, calou meu violão e não me deixou prosseguir.
Vou fazer hoje uma batucada e uma revolução.
 Vou te tirar de mim, maldita!
Quero ver o sambra voltar a ferver e segurar também um porta-estandarte.
Quero uma nova mulata dançando pra mim de saia roda e um novo violão.
Quero uma banda passando, quero deitar novamente no peito de um cantador.
Hoje vou me pintar e com brilho me vestir.
Vou fazer misérias com o teu coração, filha de Eva.
Vou atear fogo em teu peito e te quero ver queimar.
Maldita, tu eras favorita em minha ala, hoje não conheço nem posso mais crer.
Seja como for recomeçar agora eu só danço e não me canso.
O meu samba sai de volta agora, e do amanhã, quem saberá?




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