A maldita dança com a ponta da sapatilha sobre mim, me retalha, me ataca a queima-roupa, me abre as cicatrizes todas, me deixa em carne viva e no fundo gosta.Me deixa morta de cansaço e pesa em minhas costas como uma cruz.Choro e tenho dó de mim.Tomo um barril de chaça em homenagem a maldade dela que levou a graça de meu carnaval, tirou o samba de meu peito, calou meu violão e não me deixou prosseguir.Vou fazer hoje uma batucada e uma revolução.Vou te tirar de mim, maldita!Quero ver o sambra voltar a ferver e segurar também um porta-estandarte.Quero uma nova mulata dançando pra mim de saia roda e um novo violão.Quero uma banda passando, quero deitar novamente no peito de um cantador.Hoje vou me pintar e com brilho me vestir.Vou fazer misérias com o teu coração, filha de Eva.Vou atear fogo em teu peito e te quero ver queimar.Maldita, tu eras favorita em minha ala, hoje não conheço nem posso mais crer.Seja como for recomeçar agora eu só danço e não me canso.O meu samba sai de volta agora, e do amanhã, quem saberá?
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Ela é Filha de Eva
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