Sou solitária como uma pedra.Esta noite e tão grande e vasta a solidão que me acomete que a derramo num papel, e juntamente com uns tragos e uns gole extras de álcool eu poderia escrever um livro.Um livro destinado ao fogo.Nas notas de um velho safado Bukowski contou-me sobre uma espécie de verdade amarga e falsa o suficiente para não ser disputada e que ele já não sabe o que fazer com ela, então querido amigo embriagado com a minha verdade amarga e falsa também já não sei o que fazer.Trago, tomo um gole de meu café amargo e frio e envio a fumaça aos ares.Penso que devo ter tomado gosto pela solidão que se tornou companheira fiel de meus dias, trago novamente, e hoje como qualquer dia estranho o céu está nublado e cá dentro de mim está pra cair uma bela tempestade.Hoje não irei forjar palavras nem as jogar dentro de um saco literário, hoje minhas palavras são de extrema particularidade e visam um alívio imediato, que sei que não irei encontrar.O quinto cigarro se foi.Quero palavras cruas nesse papel pois escrevo de cara limpa, uma coisa limpa e pequena com a qual nem eu mesma me importo.Nesta noite não me sinto, agora estou tranquila como são os mortos.E com os mortos, quem se importa ?Não tenho pressa, abro as notas de meu amigo, velho, alcoólatra e safado e ele me diz que para se acertar é preciso prática, humor e um pouco de sorte.Nessa noite meu humor é negro e a sorte, bem , já não a possuo.O barulho do silêncio agora me incomoda, um incomodo barato e obsceno.Penso sobre mim, insensível, metida a poetagem e também contente por ser desinteressante.Não quero ser interessante, é muito difícil.Dizem que dessa vez enlouqueci, de fato, estão todos certos, só erram ao dizer que preciso libertar-me de minhas repressões e cortar as asas de meus calcanhares.Diferentemente de meu amigo bêbado essas palavras que escrevo, me entregam a completa loucura.hoje não espero, nem procuro por nada, dou um último gole em meu café gelado, um último trago que sopro aos céus e meu amigo bêbado ri, ri enquanto vaguei por bares inexistentes com uma garrafa na mão.Talvez.Finalmente.Por enquanto, como diria ele.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Notas a Um Amigo Embriagado
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