quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Notas a Um Amigo Embriagado


Sou solitária como uma pedra.
Esta noite e tão grande e vasta  a solidão que me acomete  que a derramo num papel, e juntamente com uns tragos e uns gole extras de álcool eu poderia escrever um livro.
Um livro destinado ao fogo.
Nas notas de um velho safado Bukowski contou-me sobre uma espécie de verdade amarga e falsa o suficiente  para não ser disputada e que ele já não sabe o que fazer com ela, então querido amigo embriagado com a minha verdade amarga e falsa também já não sei o que fazer.
Trago, tomo um gole de meu café amargo e frio e envio a fumaça aos ares.
Penso que devo ter tomado gosto pela solidão que se tornou companheira fiel de meus dias, trago novamente, e hoje como qualquer dia estranho o céu está nublado e cá dentro de mim está pra cair uma bela tempestade.
Hoje não irei forjar palavras nem as jogar dentro de um saco literário, hoje minhas palavras são de extrema particularidade e visam um alívio imediato, que sei que não irei encontrar.
O quinto cigarro se foi.
Quero palavras cruas nesse papel pois escrevo de cara limpa, uma coisa limpa e pequena com a qual nem eu mesma me importo.
Nesta noite não me sinto, agora estou tranquila como são os mortos.
E com os mortos, quem se importa ?
Não tenho pressa, abro as notas de meu amigo, velho,  alcoólatra  e safado e ele me diz que para se acertar é preciso prática, humor e um pouco de sorte.
Nessa noite meu humor é negro e a sorte, bem , já não a possuo.
O barulho do silêncio agora me incomoda, um incomodo barato e obsceno.
Penso sobre mim, insensível, metida a poetagem e também contente por ser desinteressante.
Não quero ser interessante, é muito difícil.
Dizem que dessa vez enlouqueci, de fato, estão todos certos, só erram ao dizer que preciso libertar-me de minhas repressões e cortar as asas de meus calcanhares.
Diferentemente de meu amigo bêbado essas palavras que escrevo, me entregam a completa loucura.
hoje não espero, nem procuro por nada, dou um último gole em meu café gelado, um último trago que sopro aos céus  e meu amigo bêbado ri, ri enquanto vaguei por bares inexistentes com uma garrafa na mão.
Talvez.
Finalmente.
Por enquanto, como diria ele.


    

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