terça-feira, 15 de novembro de 2011

Duas Vogais


Controle, auto-controle, descontrole.
Sou eu o que sou ou apenas o que quero tornar-me ?
Não seria eu apenas uma fonte transbordante de algo mais, algo que vem do fundo ou quem sabe de um outro planeta ?
Não sei!
Sem olhos, cor ou perfume, nada entendo, nada sinto.
As coisas que gosto trato com carinho, coloco numa redoma, são lindas e puras, mas estão distantes.
São mundos, cuidados e saudades.
Não gosto de exibir-me, me fecho em mim.
Minhas mãos estão cruzadas sobre meu peito para proibir de transbordar a minha essência.
Não gosto de belezas desvendáveis, abertas ao mundo me fascina o mistério.
O que realmente sou guardo num canto qualquer, mantenho no mais obscuro de mim mesma.
Meu coração, dessa forma, se diz indevassado.
Desculpem-me  os ventos calmos, mas o que me apaixona são as brisas sem respeito.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Anfêmero Vermelho


Na organização de toda a sua bagunça é onde eu quero acomodar os meus desagrados.
Minha cama choramiga a qualquer simples movimento de minha quietude; talvez seja apenas um reclamo pela lembrança da sua falta.
Meus sonhos, minhas esperas,  meus cansaços se encontram hoje pintados de vermelho, vermelho da cor do seu cabelo.
A luz tímida do meu quarto agora me lembra de tomar mais cuidado com os meus descuidos; de não deixar tão notório o fato de não me bastar mais palavras, de agora me ser necessário fitar teus olhos.
O meu lembrar de você é muito leal, não me abandona nem mesmo nos meus perigosos esconderijos internos.
Meus pecados poéticos, um dia te confessarei e espero que os guarde na tua mesa-de-cabeceira até que desbotem, pelo tempo, ou esquecimento.
Dentro do meu quarto, teu mundo.
Os desajeitados  papéis pelo chão, são registros dos meus impensados pensamentos, são testemunhas das minhas idéias vagas, dos meus choros incompreendidos que choram a sua escassa presença.  
Os meu intermináveis  e  malsofridos  pensamentos são como um grito que necessita se fazer ouvir.
Minhas palavras - até as que não se fazem entender - agora são tuas.

sábado, 5 de novembro de 2011

Para Minha Hóspede

Recordações dos instantes que eram nossos e órfãos dos cuidado seus foram ficando só em mim.
Pois pra quem tem um coração  mutilado por tantas desilusões ( o coitado já se agarra e se ampara em qualquer vagabunda esperança que lhe surja) a saudade é uma punição por demais impiedosa.
Lembra-se  das minhas angustiantes incertezas ?
Sou passageira de suas primaveras e hóspede de seus outonos.
Se eu te amo diferente é porque eu invento o meu amor.
Te peço que não arremesse contra mim o mais sujo e canalha dos sofrimentos, que não me fale de seus amores e de suas loucas paixões.
Segura essa barra, pega carona nos meus sonhos e vamos viver viver juntas, dessas surpresas que se encontra no acaso.
Vem comigo, estou cansada de ser só/eu/só, vem e vamos caminhar nesse junto, separadas.
Aprendi e gosto de viver no meio de tuas crises e conflitos, sem eles eu já não me acho em paz.
Estou machucada você bem sabe, coagida por certas palavras que acordam sobressaltando lembranças que assustam meus pensamentos felizes.
Sou a ficção da tua realidade... e por isso te escrevo.

Palavras de Meu Anjo


E eu sempre quieta, porque dentro da minha mente tudo se embaralha, se enlaça e se trança tecendo uma bandeira estirada de palavras e frases que balança suavemente.
Dentro da minha mente existe uma dualidade, uma diferença alinhada, e tão certa; Uma confusão tão lúcida e tão clara.
Parte de mim é você, como uma bolha gigante de coisas que só nós entendemos.
O nosso mundo, dentro de nós, nos englobam do lado de fora também e é tão lindo essa visão, essa que só nós possuímos.


Sobre a Excessividade de Mim Mesma

Especialistas me analisam mas nada podem concluir.
O que fui no pretérito já não passa nem perto do que sou eu no agora.
Minha natureza é GRITANTE!
Sobre o silêncio ? Já não me permito.
Me encontro na claridade multicolorida do entardecer, na mudança das coisas.
Me descubro em meio a bagunça que faço e carrego junto a mim.
Somente me acho quando já tenho esquecido de me procurar.
Dentro do peito carrego um bloco, mas pra ele, nunca é carnaval.
Esforço-me dia e noite para amar minhas próprias dúvidas, como se cada uma delas fosse um livro oculto, um segredo nunca antes revelado, um idioma que não entendo.
Minha solidão é grande por natureza e muito pesada, se fazendo dessa forma também bonita.
Jogo minhas percas na benevolência dos acasos na busca de uma vã definição.
Minha espécie é rara, e se acomoda na estranheza.
O não ter também me descreve.
Tenho o nada me ocupando as mãos, não posso vê-lo ou senti-lo.
Penetro em mim mesma na busca e algo que me faça escrever e confesso que morreria se essa resposta me fosse negada.
Tudo o que digo agora é um apelo do meu ser.
Ninguém  pode me acompanhar nesse momento porque estou distante e o meu espaço pode tocar as estrelas.
Sou uma interrogação com grande vastidão e acredito a essa altura já ter abandonado o essencial.
Concluo: Não posso me fazer compreender.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Para Minha Rosa

Minha morena faceira usando vestindo rendado, tem os cabelos de mar caindo sobre os ombros. Minha mulher-rosa trás sorrisos nos olhos e uma boca pintada, resolvida a me dizer as mais belas das coisas.
Quando pisca os olhos devagar, olhando pra mim, a cidade se cala, a festa para e as crianças desfazem a roda; porque quando tu pisca assim, devagarzinho com esses dois guizos de fazer sorrir o tempo tira uma pausa pro café e essa luz, que só tu é mais ninguém possui, me serve de guia, alumia minha vida e me faz pensar que se eu pudesse, morena, tirava as dores do teu peito inquieto e guardava no bolso, te darias as flores todas, até as que desconheço e lhe diria que todos os poetas que falaram do perfume das rosas sem antes conhecer o teu, mentiram.
Da tua doçura, minha flor , da vontade da gente provar, e te escrevo pra dizer que a muito não posso lhe esquecer, que o fogo de tua lembrança me aquece e que se eu realmente pudesse, queria era nunca lhe ver sofrer.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Obscenidade do Amor

Vez em quando cansa zé, fingir ser forte, fingir que não sabe, que não vê, que não presente tudo o que ninguém precisa dizer.
Eu me reinventei, sabe zé ? Mas aqui dentro, tem um tempestade que não que se calar.
Eu sei que ser gota em tempestade num copo d’água as vezes é bom, mas as vezes, não sei se você me entende, dá uma canseira, uma vontade de querer mais nada, de me soltar.
Nessas horas, zé, eu só desejo não correr tanto, nem procurar o que me cega o essencial.
Preciso acordar em um novo capitulo zé, fechar um ciclo, aprender a gostar mais dos ponto finais, deixar um pouco as reticências, e as continuações de lado, deixar uma história nova acontecer, por mais complicado que seja zé, e é , me permitir.
É tão obsceno amar assim, meu amigo, com tanta vontade. Toda essa pureza torna perigoso porque como você sempre me diz zé.. a gente nunca sabe… e é a mais pura das verdades zé, na verdade, a gente nunca sabe.

Sobre Meu Caminho

Silenciei em mim tudo o que gritava o teu nome, meu amor.
Abri os braços e te deixei escapar aqui de dentro.
Eu, que antes não passava de puro medo, medo de te perder, medo do que eu deveria ter feito e não fiz, medo dos teus caminhos tortos, cheios de entradas escuras e labirintos sem saídas, agora sou pura entrega, porque descobrir que a nossa essência é a liberdade.
Até quando eu vou poder me esconder de mim, fugir dessa verdade que me cerca ?
Eu sou o berro, meu amor, de toda essa liberdade que você me dá, sigo por dentre todas essas pontes e caminhos que tu me abres.
Sou um caminho sem volta amor, porque tu não podes ser minha placa de retorno.

Sacolas Vazias, Rugas e Mau-Humor.

Eu espero, meu amor, o dia em que tu possas ser a âncora que falta nesse meu barco à deriva, te espero em longas tardes vazias, te espero em longos contos de solidão, em silêncios que se prolongam com a noite, e o dia, e mais um dia. 
eu te espero como quem sabe esperar, como quem morre devagarzinho, sentindo a paz que isso lhe causa.
Essa minha longa espera, amor, me serve de abrigo, onde ninguém além de você pode entrar.
E eu que sempre te quis mais que a mim mesma, te entrego minhas tempestades esperando que você as transforme em raios de sol.
Eu que sempre te quis Inundada numa enxurrada de ilusões, retratos e cores, que nunca me importei com o que trazias pra mim, mesmo que fosse sacolas vazias, rugas e mau humor.
Eu que sempre te esperei a cada dia, depois da chuva, com asas e janelas abertas.
Eu que te vi chegar dentro de mim correndo, sem nenhum aviso prévio, chorei ao te ver partindo mansinho, desse meu peito que, pra você, já tinha tornado abrigo, feito morada .
Eu, dentro dessa minha busca permanente, desses meus transtornos, de tanto te esperar me perdi de ti , meu amor, e já não sei mais por onde andas.
Dessa forma posso te afirmar, desvendastes esse meu mistério insolúvel. 
Eu, sempre tão cheia de razões, nunca soube te esperar, anjo meu. 
Dentro desses meus silêncios, nunca soube esperar por ti.

Sobre Minhas Dores

Tô com um aperto aqui no peito que não quer passar zé, um peso, um cansaço, uma fraqueza que eu não sei de onde vem, nem tem risada que faça passar. Vez em quando isso some, mas quando eu olho pra mim, cá estou eu, querendo sentar, ver a vida passar, e esperar, esperar até não ter mais nada pra esperar, novamente, e eu nem sei o que vem depois que não se tem mais nada pra esperar,
Eu to tentando, sabe zé ? tentando mante a calma, manter a fé, a força, mudar o foco, mas tá ficando difícil, complicado mesmo, entende ?
A coisa presa aqui dentro quer sair, eu sinto ela vindo, eu veja ela aqui, quase fora da alma, mas nunca chega, talvez se eu conseguisse chorar zé, se eu conseguisse chorar a coisa podia me escapulir pelos olhos, sair por ai, ir morar num outro peito, mas as lágrimas aqui, secaram zé, secou tudo por dentro, e por fora também.
Eu já tentei escrever colocar esse peso no pepel, colocar a caneta na mão e deixar a coisa me escapulir pelos dedos, mas as palavras estão com medo de mim, fugindo mesmo , sabe zé ? até um sereno de palavras tá sendo difícil pra mim, imagina essa tempestade veranesca…
eu fico pensando zé, cadê a pessoa que vai colocar a dor no bolso e vir cuidar da minha ein ? 
Me diz zé, quem é que vai me ensinar como colocar esse furação , que tá aqui dentro, num cofre bem forte, e jogar a chave fora ? 
Vem cá zé, ou só me liga, me diz que posso contar com você, me deseja muita fé, me diga que vai ficar tudo bem outra vez, que isso vai passar e que logo eu terei uma esperança novinha em folha, fica do meu lado zé, não precisa dizer nada não, só me empresta um pouquinho teu ombro, que já vai ser bom por demais!

Germinal

Falo- te apressadamente: Sou feita de urgências.

Transito entre perigos e adeuses, assim a estática/dinâmica condição do meu ser, particípio, presente, sendo.
Falo-te como quem vai morrer.
Vou sem saber muito bem pra onde nem como.
Meu tempo é elástico e assimétrico, em mim cabem todas as estações e as vezes me chamo fevereiro. (…)
Tenho também um nome ( Secreto ) quem nem mesmo conheço, e Deus chamara um dia, quando finalmente saberei quem sou eu.
As noites me assustam por isso me espreito nas madrugadas que conhecem a luz.
Um dia manchei-me de amarelo em um girassol e restou polem em minha boca.
Eis que minha palavra é : Germinal!
Há clamores e urgências exigindo-me inexoravelmente por isso não me peças que fique sempre dentre as sebes do teu jardim.

( Obra retirada do livro 'Retrato Abstrato' da autora Maria do Carmo Barreto Campello) 

Quando Eu Quis Ficar

Eu quero fazer morada no teu aeroporto da vida, te mostrar que entre tantas idas e vindas, pode também haver permanências. 
Quero armar a barraca, fazer fogueira, pegar o violão e cantar pra você, quero ver o tempo passar, quero ver as outras pessoas passando, quero pegar o pedaço teu que cada uma delas quis levar embora, quero te fazer nova, eu quero ficar.

A Descoberta

A menina de vestido rendado que vivia na janela, não era uma garota comum , era daquelas que o medo olhava nos olhos e fugia com medo de tamanha ousadia, queria se livrar dos jogos que nunca teve a chance de ler as regras, não precisava de paradeiro, porto, rumo, ou algo pra chamar de seu.
De repente levantava da cadeira, e gritava seus pensamentos soltos, no ar das estrelas e não havia esconderijos onde sua alma não gritasse seus segredos.
Pensava consigo que distância também era encontro, encontro dos bons, porque era sempre bom se encontrar assim, na imaginação do outro.
A menina na janela era feita de pura intensidade , não entendia as coisas, mas sentia profundamente, fazia as coisas perderem o sentido de proposito, e quando ficava só, quase que conseguia entender o silêncio.
E vivia assim a menina da janela, perdida nos olhos, na alma 

O Dia Que Faltou Espaço

Sempre achei que ficavas mais bonito quando eu te prendia com meu silêncio amor, ou quando no meio dos meus devaneios cinzas rabiscavas qualquer coisa colorida e declamava uma história feliz. Silenciosamente o dia em que isso iria passar chegou, teu nome agora quando vem, vem cheio de tristeza , então me doí recordar.
Entendas por favor, que o que preciso agora é de mais aconchego e menos abandono, entendas que foi preciso coragem pra me doer dessa forma, e eu me doí, por completo.
Te peço amor, Vai! quero agora ficar com toda a selvageria da minha quietude. 
Vá, e me deixe, porque em minhas confusões não ha mais espaço para ti.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Para Minha Doce Hóspede e Seus Lindos Olhos

Que consigas te achar dentro da tua solidão, que exista conflitos e que eles te levem a uma grande explosão, que os destroços que não valem muito caiam fora de você, que o que fique seja fé, e calma pra te manter de pé, que tenha foco pra te servir de guia e uma estrela pra alumiar tua escuridão, que tenha também um porto-seguro pra esse teu barco a deriva, que tenha saudade pra que tu aprendas o valor do reencontro, que a imensidão do teu vazio não te desencontre da tua essência, que a tua essência seja o amor, e que ele vença.

A Errante Maneira de Fazer-me Eu


 Grandes acontecimentos há em mim, sou campo de guerra sou terra sem dono. Faz-me EU, reintegra-me o SER no reino das coisas.
Lança teu grito no meu silêncio, descobre-me, dá-me um nome. Quero olhar-te como a última-face-oculta emergida em mim, crava tuas verdades nas minhas verdades, revela-me ou destrói-me. porque de ti carrego uma saudade nos olhos que me faz parecer um calendário sem tempo, e digo-te ainda, entre estradas partindo para o que não sei estática aponto minha rosa dos ventos para tua face instável e fugidia. vim para ficar, não tenho parte com as coisas transitórias.

( Obra retirada do livro ' Retrato Abstrato'  da autora Maria do Carmo Barreto Campello )