quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Germinal

Falo- te apressadamente: Sou feita de urgências.

Transito entre perigos e adeuses, assim a estática/dinâmica condição do meu ser, particípio, presente, sendo.
Falo-te como quem vai morrer.
Vou sem saber muito bem pra onde nem como.
Meu tempo é elástico e assimétrico, em mim cabem todas as estações e as vezes me chamo fevereiro. (…)
Tenho também um nome ( Secreto ) quem nem mesmo conheço, e Deus chamara um dia, quando finalmente saberei quem sou eu.
As noites me assustam por isso me espreito nas madrugadas que conhecem a luz.
Um dia manchei-me de amarelo em um girassol e restou polem em minha boca.
Eis que minha palavra é : Germinal!
Há clamores e urgências exigindo-me inexoravelmente por isso não me peças que fique sempre dentre as sebes do teu jardim.

( Obra retirada do livro 'Retrato Abstrato' da autora Maria do Carmo Barreto Campello) 

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