Era ela o que era, ou o que queria tornar-se ?Não seria ela apenas uma fonte transbordante de algo mais, algo que vem do fundo, ou quem sabe de outro planeta ?Não sabia.Não via, não tinha cor ou perfume.Tudo deixava e nada sentia.As coisas das quais ela gostava, tratava com carinho, colocava em uma redoma eram lindas e puras, mas estavam distantes.Eram mundos, olhos e saudades.Não gostava de exibir-se, se fechava então, em si.Ela, cruzava as mãos sobre o próprio peito para proibir de transbordar a sua essência.Não gostava de belezas desvendadas, abertas ao mundo.Tudo o que era belo, ela guardava pra si, num canto qualquer.O coração dela era, por esse motivo, indevassado.Desculpassem os ventos calmos, mas o que a apaixonava mesmo, eram as brisas sem respeito.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Controle, Autocontrole, Descontrole
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Duas Vogais
Eu estando assim, meio doce, meio amarga é que sinto essa vontade grande de rasgar-me.De entrar dentro mim mesma, como uma fera que só faz mal a si própria.Eu sou uma fera.Das que precisam ferir-se para compreender algo, e mesmo em carne viva, nunca compreendem.Eu nua, ando por uma estrada estreita que pede toda minha atenção.Mas esse meu ser inquietante e estranho,de andar ligeiro, encontra sempre sinais equivocados que o obrigam a parar.Sou uma falsa narcizista que não escolheu o que é, nem o que fazer com o que poderia ser, que ao ver seu próprio reflexo num lago, mete as mãos no bolso do casaco, respira fundo e sente frio.Eu, uma casa impregnada de poeira, guardo todos os meu restos em velhos caixotes amontoados pelos cantos, velhos presentes, restos de silêncio e de mar, que me separam de mim mesma e me colocam entre aspas, me fazendo metade no agora.Metade eu sou, metade poderia ser.Eu, não sei se fujo de mim, ou se fujo para dentro mim, pois se aqui dentro existe luz também existe escuridão.Só um são não entenderia a impossibilidade de viver sem se deixar perder em silêncios indomáveis e cheios de hipérboles.Eu, sou pesada demais para uma doçura plena, e me perco do sagrado ao me jogar nesses voos mirabolantes, então sufoco e peço abrigo.Eu, estraçalho vidraças pedindo passagem, e vivo consumindo a mim mesma.Eu, um vulcão tentando explodir, até não restar sinal de fogo, apenas cinzas e destroços. Eu,dona de um destino arbitrário e de uma eterna falta do que falar sinto essa vontade doida de devorar esses olhos que me causam sede, e assim poder encontrar liberdade no meu ser e deixar em paz o tempo e toda a sua voracidade.
Eu, no escuro permaneço acesa e ganho outra dimensão.Eu , como tudo, também passei.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Maybe
Não me invada com olhares.
Não tires de mim o direito de ter um silêncio que grita.Escrevo agora numa folha suja, meus escritos são sujos e cheios de subjetividade.Palavras ditas não me surte mais efeitos.Não tire de mim o direito de possuir magoas infindas, que me abrem, me partem ao meio, me estiram em pedaços pelo chão do quarto.Me deixe escapar, fugir de você, respirar e viver de poesia.Me deixe viver dos meus escritos manchados de ópio.Por hoje, feche a porta de seu quarto pra mim, diga-me que a luz fraca apenas guarda um enorme vazio.Faça-me rir com seus discursos banais, faça-me implorar por perdões logo em seguida.Talvez eu faça isso, talvez não.Talvez outra hora.Outra hora, talvez, eu queira invadir tua casa, tua rua e o teu corpo.Embriagada e cega eu sinto vontade de lhe dizer coisas, nem sempre tão boas.E o que pensaria você, ao escutar, presenciar os meus devaneios todos ? e se eu te perguntasse em qual dos dois lados você quer ficar, do meu ou do seu ?Cala-te, e deixa que eu respondo por ti.Fica do teu lado, esse lado marginal do amor não te serve, e esse meu amor banal tu podes encontrar um igual em cada esquina.Eu já não gosto mais do gasto.
domingo, 6 de maio de 2012
Para Os Seus Olhos De Trovão II
Ele precisava ficar de pé para começar algo, ficar tranquilo para ultrapassar suas próprias defesas.Preferia deixar que o espaço o inventasse, e apesar da vertigem de não ter ninguém em volta de si, precisava estar perdido para poder se encontrar.Ele era um predador no seu mundo natural.O corpo dele queria falar, a roupa o calava. ,Vivia com suas vergonhas de fora e se intitulava filho de Deus e do mundo.Ele não tinha nome, no seu peito estava escrito 'Viver', e ele-sem-nome, vivia.Tinha nas suas incertezas o prazer de não ter certeza nenhuma.Guardava em sua vida ( que é uma mala sempre pronta ) peles e gostos de perfumes.Tinha trapos velhos dentro do armário e quando decidiu os vestir, viu que ainda lhe cabiam perfeitamente.Ele não usava máscaras.Nunca se zangava, e quando quase deixava a exaltação tomar conta de si, lembrava de seu nascimento, e da única tristeza que lhe deu alegria.Tinha a pose de um cara valente, e pavor do ridículo.Ele queria ser escravo dos mais pesados pecados passionais, então andava sempre com um pé na noite e outro no chão.As vezes era, as vezes não.As vezes sarapintado, as vezes um coração preto e branco.Sim esse era o seu mundo, e eram poucos e escassos os que podiam entender.Ele, quando se sentia só, acendia um cigarro, a solidão não passava mas a fumaça o fazia companhia.Se entristecia sempre pelo que poderia ter sido e nunca foi, e isso doía nele como um nervo em carne morta.Para entender o que aquele menino já havia vivido, só calçando seus sapatos, olhando através de seus olhos e seguindo os seus caminhos.Ele era de um mistério impossível de se descrever, pintado com cores imaginárias .Ele era, um menino com olhos de trovão.
domingo, 15 de abril de 2012
O Não Querer
Nunca chovia, água nenhuma caia naquela terra seca e a única música que se podia ouvir era o blues amargo da razão.
Ninguém passando na janela, nenhum aceno, apenas risos em rostos vazios ocultando gritos desesperançosos.
O dia caiu como um manto na minha solidão.Pras coisas que acontecem dentro de alguém, todos os dias são dias e todas as horas são horas.Essa regra é por demais injusta.As coisas que acontecem dentro de alguém são como as descobertas frias que se anuciam como sombra sobre os lençóis.O tempo de loucura sempre passa, e é então que nos vemos livres como peixes em alto-mar, que nunca perde tempo remoendo saudades de áquarios.Um rosto vazio que nunca antes havia estado em minha rua e que acumula caixas velhas com coisas das quais não pode esquecer corre pelas ruas procurando por alguém que escoste a cabeça em seu peito e sinta a (dor)mência do som da sua inocência perdida, do seu acordar para um abismo que se abriu como uma flor vermelha em abril.Ébria, como âmago que quer tudo e nada quer, que sente bem o incomodo da calmaria e do breve vão do infinito.O pensamento que se apresenta em caos, as palavras que se transmutam para o silêncio, o dia que devia acordar cantando.Um rosto vazio que não queria andar por uma estrada que se sabe onde vai dar, que queria descançar pois estava cansada das sendas, que por vezes queria não ver quando tudo se pode enxergar.Um rosto vazio que sempre optou pelo agridoce, quando a receita dizia sal a gosto, que nasceu pra acordar e começar a sentir o sono chegar outra vez, para administrar os vãos e o que é inútil, nasceu para entender o não entender das coisas.O não querer ir, o não querer ficar.O não querer ouvir, o não querer falar.O não querer.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Escritos Vermelhos
Quero adormecer com você num furação, deitar-me com você numa tempestade, meu anjo de guarda noturno.Você que tudo sabe sobre proteção, que guarda os meus segredos, tem uma cópia da chave da minha mente e que me ensina a te alvitrar.Certas vezes me desmonto, e meus caminho apenas sabem seguir o teu carinho, deitar no teu sofá e ser presente no tempo de sonhar.Quero rugar novas em meu riso e novas páginas em meu velho livro, quero a felicidade de te achar ao meu lado de ter o teu vermelho a colorir os dias.Com as nossas fraquezas eu construí algo bonito e agora é só você que me proporciona essas alegrias diárias e quando sinto a grande falta, a grande urgência de te ter por perto me atingir, como criança fico mais perto da janela, olhos vidrados, esperando a hora em que você vai chegar.Não demore não viu ? Você sabe muito bem que precisa esforçar-se e não escutar ninguém muito menos a voz ensurdecedora da razão.Seja aqui, no mar ou em qualquer lugar estamos sempre sob o mesmo céu.Eis que é do nosso amor que sou feita, sou isso, só posso ser isso e não me resta mais nenhuma opção além de ser.Me pergunto o que nos trouxe até aqui . Coragem, medo, ou talvez nenhum dos dois ? Bússolas, mapas, sorte, acaso ? o que realmente faz você na minha estrada? Não sei, sei é que eu estava dançando quando aconteceu e isso agora é festa, sei que sou um mero reflexo seu querendo ganhar vida no espelho e tornar-te nova.E eu que achava que te conhecia, não espera não mais me conhecer depois de você, estive muito tempo vivendo comigo mesma no escuro, até você me acender as luzes, arrumar minha bagunça, e mudar meus limites.Eu agradeço tanto você ter me virado do avesso, e manter meus passos em mudança constante, eu garanto que não preço nenhum poderia pagar a magia disso.Acredito na fé que me permite acreditar no tempo, e na sua forma infinitiva que me permite seduzir esse teu coração que era tão gelado, plantar árvores e mudar sua cor.O que faria você no meu lugar ? pra mim, que está sempre tarde e tudo tem que ser deixado para outro dia ?Minhas palavras frequentemente me traem e não entendo nem mesmo o que eu quero dizer quando fico calada, mas entendo ainda assim do que sou feita.Existe um murro de Berlin entre nós, e muitas linhas que podem quebrar o silêncio e nos trazer alívio.Não sei com que ponto devo acabar uma frase, por isso meu amor eterno pelos três pontinhos, tantos outros pontos podem existir depois deles.Então, a nossa história entrego as reticências...(O último ponto sempre dono de todos os silêncios)
terça-feira, 13 de março de 2012
Para Os Seus Olhos De Trovão
Me dê sua mão, meu boi luzeiro me acompanhe que junto de você me sinto capaz de por fogo no mundo e andar descalça sobre as cinzas.Teus encostos, teus cachos , teus casos me fascinam, me preenchem e por fazer parte de você, são vivos em mim também.Tu com esse teu nariz de palhaço eternamente pintado na cara, fazendo um carnaval festivo nos meus olhos e depois de uns goles e uns tragos devastando minha calma.Prazer em sentir saudade de ti, caboclo, de teu colchão da luz pálida do quarto e da musica melancólica que se misturava no ar com as nuvens densas que surgiam do outro lado da serra desabando em água logo depois.São poucos os que me causam esse tipo apertado de saudade, tão poucos que posso conta-los nos dedos de apenas uma mão.Não vejo a hora de tu entrar novamente nessa cidade caboclo, com esses teus olhos lindos de trovão, não vejo a hora de poder vê-los em festa e perdida na vastidão deles, dançar.Te chamo, porque se quiseres podes deitar e descansar em minha cama, passear nos meus jardins e mais, ser trapezista de meu circo.Escuta o que eu te digo caboclo, guarda no bolso tuas preocupações e te veste com teus sonhos, deixa teu coração liberto como um relâmpago a rasgar o céu de tua serra, talhada.Chove no meio do verão e te faz diferente, seja além de caboclo, chuva, dessas de lavar terreiro.Se tu quiser, meu nego, eu costuro a capa de teu peito e corto os garranchos de teu pé pra tu seguir que nem retirante e atravessar meio mundo, se não ele todo.Cuido de tu com dengo e o cuidado que se precisa ser preta pra ter e dar.Não importa se o nosso sertão virar mar ou se teu mundo se virar de ponta cabeça, eu te ajudo a concertar o caminho e te envio uma fé qualquer, que te guie direitinho.Sei que teu pensamento é de quem quer voar, mas te lembro de não esquecer de deixar marcas por onde passares, de fazer um batuque, de me compor um som, pra que eu de longe possa ouvir e alegrar a caixa do peito, vou te mandar um pedaço do nosso céu pra tu pregar na parede se um dia tu levantar voo, e se um dia acontecer de eu bater as asas primeiro não ei de me esquecer de te mandar um pedaço do mar pra tu fazer dele uma bela recordação e nadar.Eu quero que do outro lado do globo, tu possa ser feliz, mas que sinta saudade de mim e da noite do sertão.Tu é de todo um mistério caboclo, violento e avoador.Venha me ver montado num vento cercado por toda tua magia.Sei que as palavras de quem vos fala não são de muita ordem ou de muita importância, mas é de um puro coração quente, que clama por tua presença.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Eva, Que Não Era Uma Menina Comum
A menina de poses indelicadas que vivia a olha de sua janela tinha um encantamento profano por gatos pretos e não era uma menina comum.Era de tamanha ousadia que o medo lhe olhava nos olhos e fugia.Gostava de jogos e principalmente dos que não sabia as regras nem teve a chance de jogar.A menina que vivia a olhar de sua janela não era uma menina comum, nunca precisou de paradeiro, porto, rumo, ou algo pra chamar de seu.Os esconderijos de sua alma gritavam seus segredos, que se misturavam com seus pensamentos sempre soltos no ar.A menina que tinha uma nova mania a cada amanhecer pensava consigo que a distância também era encontro, encontro dos bons.Porque era sempre bom se encontrar assim, na imaginação do outro.A menina que não era uma menina comum fazia com que as coisas perdessem o sentido propositalmente e quando fica sozinha conseguia entender o silêncio.A menina que não era uma menina comum, se chamava eva.Dentro dela, de suas rasuras e de seu vazio: O breu.Seu deus nunca esteve numa cruz e seria mais certo dizer que anda por ai cometendo brincadeiras, nem sempre de bom gosto.A menina que não era uma menina comum dava vida as palavras, e as palavras eram sua vida, sua morte e tudo o que tinha.Mantinha seus escritos protegidos numa caixa de zinco muito bem cuida.Quando escreve, escreve forte com caneta vermelha, maltratando o papel e despejando sobre ele toda sua dor, ou a falta dela.A menina gostava de construir mosaicos com estilhaços de sofreguidão e de tempos perdidos, encontrados pelas calçadas, os construia com uma simetria perfeita que apenas cabe dentro dela e depois de prontos, ela os pendura na parede de sua casa.Composta de pequenas rasuras, vazios e uma grande parte de intensidade, era o talvez, sua palavra preferida e fazia parte de seu mundo, magia e bonecos de vodu inutilizados.A menina que não era uma menina comum, parecia um anjo com seu batom vermelho,sua pele alva e sua beleza estranhamente paralisante , mas tinha um demônio no coração ele era seu intimo companheiro, e ela não gostaria de libertar-se ou de tira-lo dali, havia sido batizada com fogo, dentro dela estava tudo domesticado mas por fora era selvagem.Eva, que não era uma menina comum não tinha uma natureza má, vivia perdida nos olhos e na alma (...)
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Ego-ista
Gostaria apenas de escrever sobre mim, pois dentro de todo meu egoísmo, sou a única coisa com o que me importo, mas minhas palavras tomam um rumo diferente, um atalho para falar de ti.Contigo, não me importo.Não gosto das responsabilidades, veja você , que por puro azar tenho uma nova vida entre as mãos e uma sede que fala mais alto que meu corpo de livrar-se dela.livrar-me de você também, ficar apenas comigo, meu discos, meus livros, meu cansaço.Tuas palavras me agridem, e eu não posso mais suportar isso, quero me livrar agora da angustia de ter uma vida nas mãos.Que me perdoem por tamanho egocentrismo, mas alguém com braço forte bateu em meu peito, e agora ele está quebrado, retraiu-se e obrigou-me a tomar mais cuidado.Agora quem está cá a dentro permanece, quem está fora, já não pode mais entrar.Escrever se faz demasiadamente pesado para mim hoje, já que as palavras, que também possuem humor, hoje estão mau humoradas e fatigadas a ferir.Isso por vezes me parece um jogo, se de sorte ou de azar eu não sei.Estou agora querendo um certo afastamento do que me dói, reagir, já que nada nunca é culpa de ninguém.lembrar-me: Deixa fluir, barquinho na correnteza!
Verão Que Se Faz Só
Guardo tua imagem na minha televisão, mas você é tão destrutiva.Não há solução além de ficar e sentir a solidão de nós.Tentar livrar-se das marcas, e lembrar de criar asas.Tentar entender esse verão que se fez só.Esquecer do que era perfeito, por o que sobrou no bolso, já que o passado não traduz mais o melhor.O nosso mal jeito dispensou nosso bem.Hoje você apenas está onde as coisas são lindas e os encontros são bons: nas minhas lembranças.Nossas frases estão perdidas no tempo, formam nuvens e logo mais um temporal cairá sobre mim.Construiamos sonhos imperiais, que hoje são marginais e vivem sozinhos, calados vagando pelas ruas vazias, e é pelas páginas policias de uma manchete de jornal que sabemos que ele está morto agora.Agora me recordo de uma noite boa, e de um aceno pela janela, te dizendo até logo.Ainda me sinto naquela janela, mas agora te dizendo adeus.Nos jogamos num rio e depois que já estávamos na água, descobrimos que não sabíamos nadar, fato é que nos afogamos.No nosso rio de pequenas desilusões.Demos o nosso melhor para nos curarmos dos golpes antigos, e veja só, numa esperança de cura acabamos por nos ferir mais.Já procuro esquecer a caixa na qual vou guardar o novo rascunho dessa velha historia, mas porque não rasgar e coloca-la ao fogo ?Veja só você, nada valeu a aventura se no final não há paz, nem liberdade.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Notas a Um Amigo Embriagado
Sou solitária como uma pedra.Esta noite e tão grande e vasta a solidão que me acomete que a derramo num papel, e juntamente com uns tragos e uns gole extras de álcool eu poderia escrever um livro.Um livro destinado ao fogo.Nas notas de um velho safado Bukowski contou-me sobre uma espécie de verdade amarga e falsa o suficiente para não ser disputada e que ele já não sabe o que fazer com ela, então querido amigo embriagado com a minha verdade amarga e falsa também já não sei o que fazer.Trago, tomo um gole de meu café amargo e frio e envio a fumaça aos ares.Penso que devo ter tomado gosto pela solidão que se tornou companheira fiel de meus dias, trago novamente, e hoje como qualquer dia estranho o céu está nublado e cá dentro de mim está pra cair uma bela tempestade.Hoje não irei forjar palavras nem as jogar dentro de um saco literário, hoje minhas palavras são de extrema particularidade e visam um alívio imediato, que sei que não irei encontrar.O quinto cigarro se foi.Quero palavras cruas nesse papel pois escrevo de cara limpa, uma coisa limpa e pequena com a qual nem eu mesma me importo.Nesta noite não me sinto, agora estou tranquila como são os mortos.E com os mortos, quem se importa ?Não tenho pressa, abro as notas de meu amigo, velho, alcoólatra e safado e ele me diz que para se acertar é preciso prática, humor e um pouco de sorte.Nessa noite meu humor é negro e a sorte, bem , já não a possuo.O barulho do silêncio agora me incomoda, um incomodo barato e obsceno.Penso sobre mim, insensível, metida a poetagem e também contente por ser desinteressante.Não quero ser interessante, é muito difícil.Dizem que dessa vez enlouqueci, de fato, estão todos certos, só erram ao dizer que preciso libertar-me de minhas repressões e cortar as asas de meus calcanhares.Diferentemente de meu amigo bêbado essas palavras que escrevo, me entregam a completa loucura.hoje não espero, nem procuro por nada, dou um último gole em meu café gelado, um último trago que sopro aos céus e meu amigo bêbado ri, ri enquanto vaguei por bares inexistentes com uma garrafa na mão.Talvez.Finalmente.Por enquanto, como diria ele.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Sob O Mesmo Céu
Pode ser que dá água do esquecimento eu venha a beber um dia, mas hoje quero apenas falar do agora e dessa saudade que me fere fisicamente.Minha saudade hoje é no corpo!Ela disse que iria dividir sua solidão com os pássaros e eu agora danço dia e noite com meus pés em ponta para que essa solidão que cria coreografias tristes dentro dela se vá.Danço apenas pelos teus sorrisos não pintados moça.Nossa cor é vermelha, e o vermelho é sempre tão forte.As nuvens carregadas de ontem a noite choravam numa valsa desafinada sentindo pena de mim, e de minha singela dor, escurecendo o pequeno mundo meu.Tu e essa saudade vazia que tens me provocado pintam quadros, penduram na parede da minha memória e delineiam a minha vida.Distante de ti eu passo minhas tristes horas a pensar em todas as possibilidades, porque saudade é sempre o não saber.Escrevo agora para ti, e é somente para ti essa minha saudade, que hoje veste nossa cor e sua intensidade dói em minha pele.Por enquanto apenas quero falar do agora e do meu gosto pelas pequenas coisas que me fazem sentir perto de você em meio a toda essa distância.Estamos sob o mesmo céu.Limpemos a nossa bagunça e drenemos os nosso pântanos pra que possamos continuar construindo nossa pequena e valente fortaleza de amor, amor pra um vida inteira.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Ela é Filha de Eva
A maldita dança com a ponta da sapatilha sobre mim, me retalha, me ataca a queima-roupa, me abre as cicatrizes todas, me deixa em carne viva e no fundo gosta.Me deixa morta de cansaço e pesa em minhas costas como uma cruz.Choro e tenho dó de mim.Tomo um barril de chaça em homenagem a maldade dela que levou a graça de meu carnaval, tirou o samba de meu peito, calou meu violão e não me deixou prosseguir.Vou fazer hoje uma batucada e uma revolução.Vou te tirar de mim, maldita!Quero ver o sambra voltar a ferver e segurar também um porta-estandarte.Quero uma nova mulata dançando pra mim de saia roda e um novo violão.Quero uma banda passando, quero deitar novamente no peito de um cantador.Hoje vou me pintar e com brilho me vestir.Vou fazer misérias com o teu coração, filha de Eva.Vou atear fogo em teu peito e te quero ver queimar.Maldita, tu eras favorita em minha ala, hoje não conheço nem posso mais crer.Seja como for recomeçar agora eu só danço e não me canso.O meu samba sai de volta agora, e do amanhã, quem saberá?
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Ais
Um índia sem colar, sem cocar nem pituras apenas 3 sussurros no ouvido.Ela era movida por um falso sinal, um que nunca esteve ali realmente, tinha muitas faces e um único rosto cru.Sofria golpes, dos que se arrastavam no tempo e se afogava sempre no amplo mar dos silêncios.Vezenquando pensava ter vindo de algum corpo celeste que cheirasse a tempestades!Estava sempre muito longe e buscava um rumo inexistente, como uma oceania perdida, uma atlântida particular.Passeava lentamento os olhos sobre o branco que se pintava sozinho no azul e pensava em agradecimentos.Ela pensava em agradecer aos poucos que conviviam e aceitavam seus 'ais' .Nunca o fez.Olhava sempre o seu relógio de pulso, aquele que marcava sempre o tempo passado.Ouviu um trovão, 'o festejo de um encontro' pensou.Ela descobriu que os números não podiam decifra-la, muito menos explica-la.Não tinha um deus nem bando que a benzesse.Sentia algo pesar sobre suas costas, companhia não pedida da solidão, que cheias de truques a trancou numa caixa de música.Música ambiente num lugar barulhento e apenas ela podia ouvir.Olhava agora no céu um circulo estático e negro e sentia o mover das águas que se passavam em seu infinito.Trazia no rosto cansado marcas errantes que carregavam estrelas em sua abertura, discretamente ela brilhava.Estava vestida e povoada e ainda assim se sentia vazia, vazia como um planeta que não possui nenhum céu.Todo o silêncio a tonava faminta, uma grande ferocidade a possuía.Se calava pois seu não dizer dizia bem mais sobre tudo.Ela não falava nenhum idioma.Trajava uma propensão natural aos desencontros, seu destino era facultativo.Depois de tudo ela só podia pensar que naquela tarde nublada, fosse chover.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Na Bagagem: Uma flor!
Ressuscitei minha flor na varanda lhe despejando toda a água necessária para matar sua sede, quando ela em pranto quase morria.Eu tenho uma sede que não passa e um pranto sereno que ninguém escuta.Jogo minhas percas para o alto na vã esperança de que virem estrelas, pequenos fragmentos brilhantes num céu que não posso tocar.Salvo a quem amo com o brilho certo de uma alma que grita.Troco a frequência dos ruídos permanentes e me perco em mim.Escuto coisas novas e alguém me ditando um atalho pra longe dessa caverna que me habita.Habita no interior do meu interior, como uma criança que chora em minha porta pedindo algo que não posso lhe dar, porque o tempo não volta e as coisas morrem.Levanto agora a cabeça e sinto o vento que passa em meus olhos, entendo então que em certas horas só podemos enxergar com os olhos bem fechados.Tapo as frechas das incertezas e me certifico do que tenho: Apenas uma história demorada pra contar.Salvei minha flor da morte lhe podando os galhos secos, enquanto meu coração padece pela falta de carinhoOs galhos secos que nascem em mim, esse não consigo podar e toda essa secura vem transformando em deserto o que antes era apenas mar.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Poesia Do Nosso Lar
Casinha de cobertor pra te proteger de todo o mal.Fui eu que construí viu ?Dentro dela um mundo desenhado só pra nós.Tem muito amor no meio, tem festas de sonhar, jardins de flores azuis e faça chuva ou faça sol, a alegria do nosso lar é sempre um motivo pra fazer cantar.Dentro do nosso pequeno castelo tudo gira e o tempo não existe.Tudo o que faço é pra ver teus olhos.Abro a janela pra ver o sol se pôr vermelho e sentir o vento que passa levando o som da gaita e deixando um carinho, cá dentro do peito.E quando tu me sorri daquele jeito dou-te o meu amor, que já é teu mais uma vez e deixo tudo pra mais tarde.Vamos caminhando assim, no balanço da fé , brincando de se esconder, que a vida do nosso lar é doce.Somos filhas da eternidade e aqui dentro sobra cores, amores, e enfeites de fita pra comemorar o carnaval de nós.Nós ou nó? Só sei que não é mais laço.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Tudo Isso É Mentira
Poesia bêbada.
Por você eu me contorço todo.É uma agonia estar tão quente perto de você tão gelada, minha dama vermelhosa.Eu não sei pensar, eu não sei se estou ferido ou enganado.Eu me pus a escrever porque falar não alimentava minha dor .E minha sofreguidão estampada na cara de ser humano, jogava naquele instante todos os controles no chão, e em meu pulso azul, corria aquele sangue vermelho , vermelho de chorar, de chorar minha dor, de quebra a garrafa de mediocridade de um sentimento lido em outra língua, e se a minha alma fosse mesmo esse deserto de almas como aquele besouro que pousa em mim e me faz adormece, e dormente minha cabeça batia naquela parede, que tinha um gato que ria, e ria, e ria, e eu pensava naquele copo uou de bêbado do menino que ventilava o que tinha na alma que escrevia, e escrevia , e escrevia como se isso fosse a última opção dentro daquele colchão que estava no quarto, e a solidão que estava deitada nas perguntas que o menino falava.E aquele menino via agora o mundo da varanda, em um banco e ficava confuso.Se pos a dançar , um a dança na qual a lua era seu par, e as estrelas serviam de platéia.Mas no canto daquele menino não tinha papel, e no espelho de seu volto encontrar exatamente aquele que se chamara felicidade, fora buscar no quarto o que já havia em si.E de imediato se reconheceram naquele minuto, e no fim da décima garrafa jogou no copo e se entregou a pia.Embora jovem não tinha menos que vinte.E pensou naquele cigarro chamado saudade que soprava aquele conto mentiroso e pos se a escrever no pulso de poeta fingidor.O cigarro se apagara e numa complicação onde jogava as palavras em seus joelhos onde sem nome, escrevia palavras azuis, onde olhava e não entendia nada.E como quem quase mata um gato, o menino bêbado falava dos poetas e de como tudo vezenquando se torna estranho.Assim mesmo bebia e qualquer líquido agora seria suficiente, qualquer que fosse ele, e qualquer detalhe no deserto de almas seria suas referências.Mas qual eram suas referencias ? os atros? eles seriam sua referência e segundo a menina que escrevia a história, a mulher era sempre uma cachoeira as avessas e então como colar tudo isso, não estando bêbado?E o cigarro, está em cinzas está na bunda da garota que gritara agora a mordida de uma puta que derramara a bebida no colchão e também nos cabelos e nas marcas de mordidas pelo seu corpo.A felicidade era quente e toda poesia era mentira e nunca financiara nada do que fosse a dois.O menino gostava dos opostos.A gata que quase foi morta tentava entender a poesia maluca e prestava atenção nas mentiras que eram ditas em tons de verdades.Havia empolgação no ar e o menino andava pelo mundo sem ao menos sair de seu colchão.As cores se misturavam na cabeça do menino que leu nada e nunca juntou palavras sem sentido; Palavras que se confundiam as cabeças das putas.A vida se acabava em um minuto, mas nada disso era verdade, o fim estava apenas começando.Era o fim do sofrimento que se passava, se passava apenas no início e que agora não passava de confusão.Nem o menino e nem as putas conseguiam mais definir o que era sol do que era noite, separavam apenas seus sexos.Sexos opostos, dentro de tantas igualdades.O menino nada podia fazer para deter o sono enquanto as putas enlouqueciam em meio as suas loucuras bifurcadas.O menino não dormia, apenas pensava e por isso estava solitário novamente.O menino se ia, ia pra longe com seus pensamentos.Pensava na gata quase morta, nas estrelas elétricas, nas velas e na chama que queimava seu corpo como lenha numa lareira.Estava quase coberto, mas nada disso realmente fazia sentido.As putas, o menino, a gata quase morta, gritavam em silêncio, gritavam e não sabia, nem ouviam.Eles se moviam e destruiam o pouco de lucidez que ainda tinham.A partir desse dia, no meio de uma noite escura, nem o garoto, nem as putas, nem a gata quase morta seriam os mesmo; Estariam sempre distantes, mesmo estando perto, tão pero que já estavam um dentro do outro.Eram um só agora.Um menino que agora era uma puta, e as putas que agora eram um garoto solitário e uma dose dupla descia pela garganta dele, ou delas que agora eram um só.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Enquanto Não Chegar O Sono
Confiando em minhas fraquezas, fazendo dessas palavras borradas e tortas o meu desabafo.Meu interior grita no mais profundo dos silêncio um pedido de socorro!Estava errada, na minha certeza de início, nunca tenho certeza de nada,é o que ela sempre diz.Pareço um pouco nervosa fazendo essa afirmação, não nego.Me traí, eu sei e reconheço que vez em quando de nada me servem meus mal feitos, só tenho satisfação com as minhas obras realizadas e talvez isso também seja mentira.Apenas para quem equivocadamente sempre diz suas verdades, e que eu escrevo.Minha voz é falha. Meu silêncio e minhas palavras também.Fascinante e imprevisível, a vida não passa de um delírio poético.Existe algo dormindo dentro de mim agora, algo imenso, em sono profundo.Faz frio nessa madrugada, sopro ar quente para aquecer as mãos; Gostaria de aquecer também o coração porque é selvagem o gelo que sinto no peito.Queria um gole do café dela, ou apenas um cigarro e o meu eterno vazio.Minhas palavras são mudas e telepáticas, minha culpa também, tão faceira que mal percebo sua existência e quando percebo já se faz tarde.A minha culpa gosta de ser gota na tempestade dos copos D'águas.O signo que eu sempre tento ler e ser não passa do impossível em mim, e minhas palavras já se fazem demasiadamente inúteis e sem sentido.Minha dor está forçando o telhado, tentando derrubar a porta e escalar em vão as paredes da varanda do meu corpo, as lágrimas não caem.Me assino: Sem nome e afirmo ontem é apenas passado pra mim.Enquanto não me chega o sono, percebo que morri.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Queria Te Escrever
Queria te escrever pra falar das minhas mágoas e dores, mas tenho medo de magoar ou ferir a alma das palavras.Queria te escrever para falar do meu estado de espírito.Durante tanto tempo foi tua a minha vida, mas hoje pouco importa a minha vida que ainda é tua.Tudo o que eu bem sei é que, nessa minha vida que ainda é tua as únicas coisas que me pertencem são os meus imprescindíveis pensamentos.Queria escrever-te algo que pousasse sobre teus olhos lindos e assustadores de menina cheia de contrastes.Moça, me permita a ousadia de dizer que és dona de todos os meu pecados poéticos, e que em minha solidão escuto cantigas da tua ausência, escuto um canto de saudade.Queria te escrever pra dizer que fazes do meu corpo uma estrada solitariamente triste e vazia, como um adeus para ninguém.Queria te escrever pra pedir que me trate e me cuide, para dizer que hoje eu quis saber de como eu era e quase não me reconheci no espelho.Meu eu já não existe porque tu me transformaste.Queria te escrever pra dizer que tenho agora os rastros cansados, e que muitas dores veraneiam em mim.Queria te escrever pra dizer que me encontro (re)colhendo os restos dos meus nadas, e que tua saudade anda fazendo travessuras abstratas no meu peito.Queria te escrever pra dizer que o nosso amor, eu fotografei e que agora ele dorme na terra do pra sempre.Quero te pedir desculpas moça, pelas minhas felicidades egoístas e pelas vezes que no meu desespero infantil quis te dizer adeus, pedir desculpas por querer me livrar desse vicio de tanto querer.Sem mais delongas, queria te escrever pra dizer que estou entardecida, e te pedir que se faça lamparina, iluminando o meu escurecer.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Dela
Ela chegou com um encantamento profano, me prometeu os jardins do éden, me mostrou a facilidade de promover milagres em meio as tempestades e sem meias desculpas eu já entregava tudo o que havia em mim, até o eu ainda não possuía pra saciar a fome dela.Ela chegou, pincelada de paisagens fugazes, quase irreais, ofuscando qualquer peso que a realidade um dia teve.Ela chegou e como o voo de qualquer pássaro selvagem, foi certeiro, e me atingiu em cheio de um lado a outro do coração.Ela chegou plantando flores em meu sorriso, agora, aqui é sempre primavera e em minha vida ecoa sempre a canção de paz que um dia ela me ensinou.Ela detém um estranho dominio sobre mim e também sobre a minha parte que ainda treme quando pensa em perde-la.Nós meus voos mirabolantes, ela é terra firme.Ela sabe dos meu gosto pelas curvas perigosas e do meu desprezo pelas estradas retas.Quero a sorte de segurar as mãos dela no fim dos dias, e dançar no silêncio das suas dúvidas.Quero fazer da vida dela um eterno carnaval, singelo e delicado com fantasias coloridas e rostos pintados de alegria.Dela, eu entendo os olhos, e a linguagem do silêncio.Ela, eu entendo até quando não faz sentido.Ela, que sabe me tocar a carne, a alma e o senti.Dela eu quero tudo, eu quero o todo, quero os segredos, os mistérios.Na possibilidade do amor, vivemos assim.Como fogo, ela me consome, e eu apenas me deixo queimar.
Assinar:
Comentários (Atom)